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Crítica | 3ª temporada de Killing Eve não avança a história


A BBC America exibiu no último domingo (31/05) o oitavo e último episódio da 3ª temporada de Killing Eve, suspense protagonizado por Sandra Oh e Jodie Comer. Atenção: este texto contém spoilers.

Logo no primeiro episódio da temporada ocorre o assassinato de Kenny, filho de Carolyn e braço direito de Eve. Ocorrida sob circunstâncias suspeitas, a morte do personagem se torna um dos principais mistérios da temporada.

Sete episódios depois e a solução foi a mais banal e anticlimática possível. Além de ter sido resolvida nos últimos minutos da temporada, a morte de Kenny ajudou pouco no caminhar do plot dos Doze (o assassino fugiu ileso e o mandante e única cabeça conhecida do grupo foi assassinado) e nos custou a vida de um dos personagens secundários mais carismáticos da série.

Além disto, o assassinato de Kenny trouxe a visita de sua irmã, Geraldine, cuja difícil convivência com a mãe não só rendeu plots desinteressantes como também pouco ajudou a aprofundar e desenvolver Carolyn. No fim, a participação da filha só tentou tampar o buraco deixado por Kenny, podendo ter sido resumida em apenas um episódio.

Um dos poucos acertos da 3ª temporada de Killing Eve foi, mais uma vez, o desenvolvimento de Villanelle. Fica cada vez mais clara a evolução da assassina, que iniciou a história com sensação de posse sobre Eve e terminou esta última temporada permitindo que a amada escolhesse se queria ficar com ela.

Aliás, o desenvolvimento da relação entre Villanelle e Eve também teve um andamento significativo este ano. Desde a primeira temporada o percurso foi lento e gradual, até culminar em Eve admitindo os seus sentimentos por Villanelle – se essas duas não ficarem juntas depois desta finale eu não respondo por mim!

Sem perder a sua essência excêntrica, Villanelle está mudando e se tornando quem ela realmente quer ser: uma mulher livre, que possa decidir o seu futuro. Durante a 3ª temporada, a russa mostrou descontentamento com o seu trabalho e interesse em tomar posições de liderança.

Aliás, esta temporada de Killing Eve teve um episódio inteiro dedicado ao reencontro de Oksana com sua família. Além de divertido, o episódio ajudou a dar ainda mais profundidade à personagem. Entendemos de onde ela vem, porquê tomou as decisões que tomou. Uma pena tudo ter durado tão pouco. Teria sido interessante explorar um pouco mais a relação de Villanelle com sua família.

Já Eve Polastri foi esquecida no churrasco. A protagonista da série começou a 3ª temporada com um pouco mais de destaque, quando se recuperava do trauma que sofreu ao ser baleada por Villanelle. Já na segunda metade da temporada, no entanto, a personagem foi ficando de lado para dar mais espaço para os outros plots da série. Uma pena.

Esta 3ª temporada foi a mais fraca de Killing Eve até agora. Não só não avançou significativamente com a história – com tantos pontos de virada e agentes duplos, a caça aos Doze nunca esteve tão confusa – como evidencia a decrescente que a série vem mostrando a cada ano que passa.

Torçamos para que a 4ª temporada dê ainda mais espaço para o seu trunfo, Villanelle e Eve, e recupere o brilho inicial de Killing Eve.

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