Nos 50 anos do Abbey Road, confira curiosidades do disco e de suas canções Música

Nos 50 anos do “Abbey Road”, confira curiosidades do disco e de suas canções


Há exatos 50 anos, em plena sexta-feira, 26 de setembro de 1969, os Beatles lançavam suas últimas canções a serem gravadas em estúdio, com a obra-prima chamada Abbey Road. Mais uma vez, provando que é possível mudar o mundo em menos de uma década. 

O sucesso comercial instantâneo após o lançamento, liderando as paradas de sucesso da Inglaterra por 18 semanas consecutivas, reflete apenas uma parte do significado histórico desse álbum, não apenas para a música, mas para a história de forma geral. Desde a icônica capa até o poderoso solo que, resultando em The End, traz um dos encerramentos mais marcantes da música e com uma mensagem que se tornou ainda mais significativa após o fim da banda.

Em comemoração aos 50 anos do clássico Abbey Road, dos Beatles, o Pop Cultura listou algumas curiosidades sobre o álbum e o momento conturbado pelo qual o grupo passava, levando-o ao seu fim.

Curiosidades sobre o disco Abbey Road, dos Beatles:

George Martin não queria produzir o Abbey Road devido ao clima pesadíssimo das gravações do Let It Be que, apesar de ter sido lançado apenas em 1970, foi gravado antes do Abbey Road;

As sessões do Abbey Road tiveram início em 22 de fevereiro de 1969, apenas 3 semanas depois das gravações do frustrado projeto The Get Back Sessions, no Trident Studios;

Nos primeiros dois meses pós lançamento, o disco vendeu cerca de 4 milhões de cópias ao redor do mundo; 

Abbey Road, na verdade, quase recebeu o nome de Everest, devido à marca dos cigarros que o engenheiro de som Geoff Emerick fumava. A ideia, porém, não deu certo porque os Beatles não se animaram de viajar até os Himalaias para uma única sessão de fotos.

Em um depoimento, John Kurlander, também engenheiro de som da banda, chegou a comentar sobre a mudança de rumo em relação ao visual do disco:

“Foi mais ou menos em julho, quando estava muito quente do lado fora, que alguém mencionou a possibilidade de os quatro viajarem em um avião particular até a base do Monte Everest para tirarem a foto da capa. Mas ao ficarem mais entusiasmados para terminar o disco, alguém – não lembro quem – sugeriu: ‘olha, eu não posso me preocupar em viajar até os Himalaias para uma capa. Por que não vamos apenas para o lado de fora, tiramos uma foto lá, nomeamos o LP de Abbey Road e pronto?’. Essa é minha memória do motivo de ter se tornado Abbey Road: porque eles não podiam se preocupar em viajar para o Tibet e ficar com frio!”

A sessão de fotos para a capa do Abbey Road acabou acontecendo no dia 8 de agosto de 1969 , e foi baseada em um rascunho desenhado por Paul McCartney. Até hoje, a capa é uma das mais reproduzidas pelos fãs.

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Confira curiosidades sobre as músicas presentes no disco Abbey Road:

1) Come Together

Come Together, a faixa que abre o Abbey Road é, na verdade um plágio da canção You Can’t Catch Me, de Chuck Berry. Após o lançamento do álbum, a gravadora de Berry entrou com processo de plágio contra a música de Lennon.

Antes de chegar aos tribunais, porém, John assumiu a culpa, mesmo que inconscientemente, segundo ele, e prometeu regravar três músicas da editora: You Can’t Catch Me e Sweet Little Sixteen, no álbum Rock ‘n’ Roll e Ya Ya, em Walls em Bridges.

2) Something

Something foi a primeira música de George Harrison a fazer parte de um lado A dos Beatles.

A princípio, Harrison chegou a oferecer a faixa a Joe Cocker e Jackie Lomax. Porém, mais tarde, decidiu gravá-la com os Beatles.

A canção tornou-se a segunda mais regravada do grupo, atrás de Yesterday, e ganhou, inclusive, uma versão de Ray Charles, uma das grandes inspirações de George para compor a música, já que ele havia imaginado Charles a cantando.

3) Maxwell’s Silver Hammer

Maxwell’s Silver Hammer, na verdade, foi pensada para fazer parte do Álbum Branco, de 1968, chegando a ser tocada nas sessões, inclusive. Porém, não chegou a ser gravada. O mesmo aconteceu durante as gravações do álbum Let It Be, mas, no fim, foi no Abbey Road que a música entrou.

John Lennon, George Harrison e Ringo Starr chegaram a fazer comentários negativos sobre a faixa publicamente:

John Lennon: “Eu a odeio, porque tudo o que lembro é que essa é a faixa que Paul fez de tudo para que fosse single, e nunca foi nunca poderia ter sido”.

George Harrison: “Às vezes, Paul nos fazia tocar essas músicas muito grudentas. Digo, meu Deus, ‘Maxell’s Silver Hammer’ era muito grudenta. Depois de um tempo, nós fizemos um bom trabalho nela, mas quando Paul colocava alguma ideia ou arranjo na cabeça dele…”

Ringo Starr: “A pior sessão de todas foi ‘Maxwell’s Silver Hammer’. Foi a pior faixa que já tivemos que gravar. E ficamos nela por intermináveis semanas. Foi uma loucura.

4) Oh! Darling

Originalmente intitulada de Oh! Darling (I’ll Never Do You No Harm), a faixa foi composta por Paul McCartney e levou vários dias para que fosse gravada, já que o músico queria que sua voz soasse áspera:

“Quando estávamos gravando Oh! Darling, eu fui todos os dias mais cedo ao estúdio, durante uma semana, para cantá-la para mim mesmo, porque minha voz estava muito clara no começo. Eu queria que soasse como se eu tivesse a performando em um palco durante a semana toda”.

Mais tarde, o engenheiro de som Alan Parsons, revelou que McCartney chegou a se lamentar sobre sua voz no estúdio, durante as gravações: “Cinco anos atrás, eu poderia fazer isso em um piscar de olhos”.

5) Octopus’s Garden

Octopus’s Garden foi a segunda e última música de Ringo Starr com os Beatles.

A ideia surgiu em 1968, durante umas férias que o baterista tirou na Sardenha. Depois de ter negado um polvo para o almoço, o capitão do iate onde estava começou a contar tudo e mais um pouco sobre a vida dos polvos.

Ringo, então, transformou isso em música, juntando ao momento conturbado que vivia: “Ele me contou que os povos ficavam no fundo do mar recolhendo pedras e objetos brilhantes para construir jardins. Achei fabuloso porque, na época, tudo o que eu queria era ficar embaixo d’água também. Eu queria sumir por um tempo”.

6) I Want You  (She’s So Heavy)

Apesar dos quase oito minutos de duração, apenas 14 palavras diferentes são cantadas em I Want You (She’s So Heavy), como uma declaração de Lennon a Yoko Ono. Porém, curiosamente, a faixa foi uma das primeiras a serem trabalhadas no Abbey Road e a última a ser finalizada.

6) Here Comes The Sun


Em um dia de folga das intermináveis e tensas reuniões sobre o futuro da Apple, George Harrison decidiu visitarEric Clapton em sua casa de campo, em Ewhusrt, Surrey. À beira da piscina, com um violão acústico, George compôs Here Comes The Sun, uma mensagem de otimismo em tempos tão conturbados para os Beatles.

A música, inclusive, ganhou um clipe oficial e inédito nesta quinta-feira (26), em homenagem aos 50 anos do álbum Abbey Road. A estreia aconteceu às 13h.

7) Because


Enquanto alguns apostam em mensagens endiabradas com a música tocando ao contrário, os Beatles apostam em Beethoven! Brincadeiras à parte, “Sonata ao Luar”, do compositor, realmente serviu de inspiração para Lennon. A ideia surgiu após ouvir Yoko tocando a composição no piano.

8) You Never Give Me Your Money


A aproximação de Allen Klein aos Beatles causou estranheza desde o princípio em Paul McCartney, que queria que John Eastman, irmão de Linda, reorganizasse os negócios da banda. Mais tarde, o músico chegou a afirmar que You Never Give Your Money foi escrita com Klein em mente.

A faixa foi a primeira a ser gravada e todo o medley do lado B do Abbey Road.

9) Sun King

Inspirada em Albatross, do Fleetwood Mac, música que foi sucesso no Top 10 britânico no início de 1969.

A princípio, foi trabalhada como Here Comes The Sun King, mas reduzida para Sun King para não confundir os fãs com a música de George Harrison.

10) Mean Mr. Mustard


Mean Mr. Mustard foi composta durante a estadia dos Beatles na Índia. A faixa foi gravada junto de Sun King, como uma só música. Originalmente, a irmã de Mr. Mustard chamava Shirley, mas John Lennon mudou o nome para Pam, devido à continuidade do medley do Abbey Road.

11) Polythene Pam

O nome Polythene Pam veio de uma das primeiras fãs dos Beatles, ainda no Cavern Club, chamada Pat Hodgett, que costumava comer polietileno. A jovem ficou conhecida como “Polythene Pat”. Em uma entrevista, ela chegou a dizer: “Eu costumava comer polietileno o tempo todo. Eu dava um nó e depois o comia. Às vezes, eu costumava queimá-lo e depois comê-lo quando fazia frio”.

12) She Came in Through The Bathroom Window

She Came In Through The Bathroom Window foi escrita por Paul McCartney após as fãs conhecidas como Apple Scruffs invadiram sua casa enquanto ele passava o dia fora. Diane Ashley foi a fã que entrou pela janela do banheiro e, depois, abriu a porta da frente para que outras garotas pudessem entrar na casa.

Na ocasião, diversas fotos e negativos foram roubados pelas fãs. Alguns dos itens, mais tarde, foram recuperados por McCartney, mas nem todos.

13, 14, 15) Golden Slumbers / Carry That Weight / The End

A Golden Slumbers original, na verdade, foi uma canção de ninar composta pelo escritor e dramaturgo inglês Thomas Dekker. Paul McCartney estava na casa de seu pai, James, quando encontrou um livro de sua meia-irmã, Ruth, que tinha a canção. Sem conseguir ler a partitura, McCartney criou sua própria melodia e adicionou palavras à letra.

Carry That Weight, por sua vez, foi gravada junto de Golden Slumbers, como single. A faixa traz elementos antes citados no Abbey Road, em You Never Give Me Your Money. McCartney chegou a afirmar ao biógrafo Barry Miles que o momento em que a música foi gravada foi um dos que ele não conseguia ser otimista.

The End não apenas traz o inédito e único solo de bateria de Ringo Starr com os Beatles, como também um “duelo” inédito de guitarras de Paul McCartney, George Harrison e John Lennon, respectivamente. Um baita encerramento (originalmente) ao Abbey Road, com a mensagem: “no fim, o amor que você recebe é equivalente ao amor que você dá”.

16) Her Majesty

Originalmente, Her Majesty deveria estar entre as faixas Mean Mr. Mustard e Polythene Pam. Paul McCartney não gostou das três faixas juntas e pediu para que removesse aquela que seria a faixa mais curta dos Beatles. Para não perder o material, o engenheiro de som a colocou no fim do álbum, com o último acorde de Mean Mr. Mustard como introdução.

McCartney gostou do resultado e, desta forma, ficou. A faixa acaba do nada porque seu encerramento ficou, justamente, como introdução de Polythene Pam.

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