Crítica | Yesterday imagina mundo sem Beatles de forma descontraída, romântica e até emocionante Críticas, Filmes, Música

Crítica | “Yesterday” imagina mundo sem Beatles de forma descontraída, romântica e até emocionante


Imaginar um mundo sem Beatles, para muitas pessoas ao redor do mundo, soa mais como um filme de terror do que qualquer outra coisa. Afinal de contas, como afirma o próprio filme Yesterday, que chegará aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (29), um mundo sem os quatro garotos de Liverpool seria simplesmente um mundo pior. 

Após um apagão geral com duração de 12 segundos, os Beatles, assim como outras “referências” da cultura popular, como a Coca-Cola e o cigarro, somem do mapa sem deixar rastro algum. Simplesmente, deixam de existir: seus álbuns somem e nem o Santo Google é capaz de encontrar algum registro da existência de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

A exceção é Jack Malik (Himesh Patel), um músico frustrado e nada bem-sucedido que está prestes a desistir de sua carreira. Após um acidente no momento do apagão, ele é uma das únicas pessoas do mundo todo a lembrar sobre os Beatles e, claro, logo começa a se aproveitar da situação, se apropriando do repertório dos ingleses.

De forma descontraída e com um típico humor ácido britânico, que não precisa de grande esforço para arrancar risadas dos telespectadores, Yesterday leva Jack Malik de um oposto ao outro: do músico desconhecido ao nível Beatlemania. Ou melhor, Jack Malikinia.

Em meio à jornada do protagonista, acompanhamos, também, suas idas e vindas amorosas com Ellie Appleton (Lily James), sua então empresária. O equilíbrio entre os diferentes gêneros do filme é muito bem trabalhado, não deixando a trama cansativa ou forçada. Pelo contrário, ao juntar o roteiro bem equilibrado à montagem rápida do diretor Danny Boyle, uma de suas características mais notáveis, o filme se torna leve e divertido. A ótima atuação da dupla também contribui para a leveza da história, especialmente a de Patel, que encontrou um ponto perfeito e desengonçado para interpretar Jack Malik.

É um filme mais especial para os fãs de Beatles, porque as referências à banda inglesa não se limitam apenas às músicas tomadas por Jack, mas, também, a momentos marcantes do grupo durante o curto período em que transformaram o mundo de forma grandiosa. As referências sonoras por parte da trilha original da produção também remetem, instrumentalmente, ao trabalho de John, Paul, George e Ringo, principalmente na fase psicodélica.

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Porém, pessoas que não são tão fãs de Beatles assim também têm tudo para se divertir assistindo à produção, afinal, diversas são as referências à cultura popular atual: a grande participação de Ed Sheeran, citação a Childish Gambino e ao programa de James Corden, e até uma tentativa de substituir Hey Jude por Hey Dude [Hey Cara, em português].

No fim, a única coisa que deixaria Yesterday ainda melhor seria, de fato, uma possível participação de Paul McCartney e Ringo Starr, até porque há um momento de grande deixa para isso acontecer no filme. Mas, claro, entendo tamanha dificuldade e burocracia para tal, considerando que ambos os artistas passam grande parte do ano em turnês mundiais.

Agora, querido fã de Beatles, gostaria de comentar sobre um momento especialmente emocionante do filme, sem spoilers. Em certo momento de dificuldade, em meio a tantas novidades na vida de Jack, ele encontra uma pessoa bem especial e lindamente caracterizada no filme. Aqui, o exercício imaginativo de um mundo sem Beatles ganha um novo significado. E vocês irão entender quando assistirem.

Outro ponto bastante positivo de Yesterday é que, apesar de criar um mundo quase distópico, o longa foge de um final clichê e óbvio, o que colabora diretamente para a boa performance do filme em geral.

Assista ao trailer de Yesterday:

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