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Especial | Morte de Elvis Presley completa 42 anos, mas legado segue mais vivo do que nunca


Há 42 anos, o mundo perdia Elvis Presley, o Rei do Rock. Após todo esse tempo, porém, seu legado continua mais vivo do que nunca, por parte de fãs da velha-guarda, é claro, mas também formando uma legião de novos fãs que buscam alguma maneira de reviver aquilo que não viveram. 

Nascido em Tupelo, no Mississippi, Elvis Aaron Presley uniu um Rock and Roll já existente a uma voz inesquecível e um rebolado pouco antes visto. E a mistura foi certeira: com recordes e mais recordes quebrados, Elvis se tornou um grande facilitador à disseminação do Rock ao redor do mundo. E o resto, bem, é história.

John Lennon, certa vez, afirmou que “antes de Elvis, não havia nada” e que “se não fosse por ele, os Beatles não existiriam”. Isso ilustra, melhor do que qualquer outra coisa, a importância dele para o mundo da música, certo?

Foto: Giullia Gusman (Museu Beatles Story, em Liverpool)

Foto: Giullia Gusman (Museu Beatles Story, em Liverpool)

Ainda hoje, em 2019, diversos eventos são organizados para celebrar a obra e a carreira de Elvis Presley, sendo o maior deles a Elvis Week, realizada anualmente em Memphis, e que reúne, inclusive, diversas pessoas que trabalharam com o artista.

Envolvido neste meio, está o guitarrista brasileiro Heitor, que viaja o mundo tocando em tributos ao Rei do Rock, ao lado de músicos que participaram das turnês de Elvis Presley. Durante este mês de agosto, ele participou do evento que, a cada ano, cresce e atrai mais pessoas para celebrar o artista.

“A Elvis Week é a semana em que Memphis para. Durante uma semana em Agosto, a cidade é invadida por fãs para celebrar a vida e a música do maior artista de todos os tempos. Milhares de pessoas comparecem a eventos, shows, convenções, leilões, visitam a casa de Elvis, restaurantes em que ele comeu, etc. A Elvis Presley Enterprises investe em exposições no seu novo complexo, Elvis’s Memphis. Fãs do mundo inteiro vêm se encontrar. E tudo termina dia 15 de agosto, com uma vigília onde todos os fãs visitam, durante a noite e a madrugada, o túmulo de Elvis”, afirmou o brasileiro.

Da esquerda para direita: Estelle Brown (membro original do grupo Sweet Inspirations)

Da esquerda para direita: Shawn Klush, Estelle Brown (membro original do grupo Sweet Inspirations) e Heitor.

Conversamos com Heitor para entender sobre a trajetória dele em direção a esse mundo “Elvístico” e, claro, para compreender a ainda atual importância do Rei do Rock para a música mundial.

– Qual foi seu primeiro contato com as músicas do Elvis?

Heitor: Antes de nascer! (risos) Minha mãe é uma super fã, então quando estava grávida, colocava fones de ouvido em volta da barriga pra me acalmar. Às vezes, eu me mexia muito, então ela colocava umas músicas lentas; e, às vezes, eu estava muito quieto e ela tocava Jailhouse Rock! Não tem um dia na minha vida que eu não ouvi pelo menos uma música do Elvis. Faz parte do cotidiano.

– É muito legal ver que um guitarrista de Guararema, interior de São Paulo, hoje toca com pessoas que viveram com o Elvis. Me conta um pouquinho da sua trajetória!

H: Nem eu acredito quando paro pra pensar no que aconteceu na minha vida. Para um fã que cresceu assistindo aos músicos do Elvis, estar no palco e olhar para lado e vê-los, ouvi-los ali do lado, é incrível. Eu definitivamente estava no lugar certo, na hora certa. Desde os 11 anos, eu acompanhava os tributos do Brasil. Então, James Burton (guitarrista de Elvis nos anos 70) anunciou um show em São Paulo e eu cheguei super cedo. A banda brasileira me convidou para assistir à passagem de som, e de lá fiz contato com o road manager dele. Fui convidado para ser intercambista e ficar na casa deles, em Shreveport, Louisiana, terra do James. Fiquei um ano lá, e depois voltei pro Brasil. Alguns anos depois, recebi um e-mail no trabalho, de um empresário americano que cuida dos músicos do Elvis, me convidando pra participar de um show na Movistar Arena, em Santiago, pra 12 mil pessoas, com as Sweet Inspirations (grupo vocal que acompanhou o Elvis), e com Shawn Klush (o primeiro tributo autorizado pela Elvis Presley Enterprises). Desde então, faço parte do cast da World Tour deles!

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– E como é trabalhar com essas pessoas que tocaram com o Elvis?

H: Surreal. Eu sempre procuro tocar o mais próximo às gravações quando toco com outras bandas, mas quando toco com os músicos “originais”, a conexão é demais, e a gente acaba criando junto. Sempre tem algo novo, mesmo sendo Blue Suede Shoes, Suspicious Minds, toda noite é diferente. Mas essa conexão que acontece nos shows, é algo que eu sempre vou guardar com muito carinho. Eles não são jovens. O tempo passa, mas a música fica.

DJ Fontana e Heitor em turnê

DJ Fontana (baterista de Elvis Presley durante os anos 50) e Heitor em turnê

– Imagino que eles acabam compartilhando algumas histórias de bastidores com o Elvis. Tem alguma que você possa compartilhar com a gente?

H: Acho que a minha frase favorita que escuto no camarim é: “Lembra quando a gente tocou aqui e…”. Toda cidade sempre aparece alguma lembrança. Mas a minha história favorita é uma que Bill Baize, do Stamps Quartet, me contou: Elvis recebia várias ameaças durante a carreira. Cartas anônimas, ligações, etc.. Em meados da década de 70, eles receberam uma ameaça meio forte, e Elvis decidiu que queria treinar todos os músicos para que, se caso algo acontecesse, eles estivessem prontos. Elvis chamou JD Sumner e os Stamps pra conversar na sua suíte em Vegas. Eles sentaram e a conversa estava indo normal. Do nada, alguém pulou pra cima deles, com um capuz, e uma arma na mão. Cada um dos Stamps reagiu de uma maneira diferente: JD Sumner pulou em cima do Elvis, protegendo com seu próprio corpo (o que resultou no Elvis dando pra ele um anel de diamantes pela lealdade); Ed Hill, que era militar treinado, pulou por cima do bar, e pegou a primeira arma que estava ao seu alcance (uma lata de sopa); Ed Enoch se escondeu atrás do sofá tentando “surpreender” o “assassino”; e Bill Baize… deitou em posição fetal embaixo da mesa e rezou. Quando tudo se acalmou, Elvis tava gargalhando. Ele tinha pedido pros membros da Memphis Mafia montarem um cenário de ataque e ele se surpreendeu com a defesa dos Stamps: uma lata de sopa e um “padre”.

Heitor, Shawn Klush, Stamps Quartet (Donnie Sumner, Ed Hill e Larry Strickland) e Sweet Inspirations (Portia Griffin e Estelle Brown)

Heitor, Shawn Klush, Stamps Quartet (Donnie Sumner, Ed Hill e Larry Strickland) e Sweet Inspirations (Portia Griffin e Estelle Brown)

– James Burton criou riffs e solos que ficaram marcados na história. Na hora de reproduzi-los, você presa pela fidelidade deles, ou aproveita para criar algo a mais em cima desses solos?

H: James era um inovador. As técnicas que ele criou, desde alterar as cordas que ele usava pra cordas de banjo, até o famoso “chicken pickin”. Tem muita pressão para tocar o mais próximo possível. Do mesmo jeito que o artista tributo estuda os nuances vocais, a banda tem obrigação de conhecer bem o material. Mas, na verdade, depende muito do tributo. Toco com alguns tributos que, em certa semana semana, escutaram bastante um bootleg, ou um show em particular, e eles pedem para tocar “o mais próximo à turnê de Março de 76” ou “toca abril de 72”. Já tive situações de tributos que chegam a mencionar detalhes do tipo “quero o show da tarde de 9 de abril de 1972”.

Mas também já toquei com tributos que dizem pra tocar o que quiser. Então, depende muito da visão do artista, o que ele quer ouvir. Eu tento estar pronto pra qualquer pedido, então realmente estudo todo material possível! Vale lembrar que os fãs de Elvis esperam o mais próximo. Já tive shows que tentei algo diferente e recebi uns olhares da platéia, então troquei rapidinho! Faz parte do trabalho… criar a ilusão da maneira mais próxima possível!


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Happy Birthday to the one and only, James Burton!! 🎸🎸

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– Afinal de contas, Elvis morreu?

H: Infelizmente, sim. É incrível ver a diferença de um artista comum e uma lenda. Tem um monte de teorias na internet. Pessoas tentando explicar, tentando encontrar respostas. Mas a resposta é simples: Elvis morreu dia 16 de agosto de 1977. Algumas das teorias chegam a ser tão absurdas que até já me conectaram a uma delas. Já fui parado em Memphis, na Elvis Week, por uma pessoa tentando “tirar respostas” de mim, dizendo que ele sabia que eu tinha o conhecimento de onde Elvis estava.

Tudo começou por causa de uma foto de Bob Moore (baixista em sessão de estúdio com Elvis) em que um dos nossos cantores apareceu e, por alguma razão, meu nome foi mencionado (aparentemente, Elvis estaria na Argentina, e eu – brasileiro – estou ajudando a mantê-lo em segredo em algum lugar). Eu acredito que o amor dos fãs é tão grande, que fica difícil, mesmo depois de 42 anos, entender que ele não está aqui. Fisicamente, Elvis morreu. Mas sua voz e seu legado, estão mais vivos do que nunca!

Foto: Reprodução / Facebook (Elvis Presley)

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