Crítica | Em "Rainhas do Crime", mulheres são protagonistas em Nova York mafiosa Críticas, Filmes

Crítica | Em “Rainhas do Crime”, mulheres são protagonistas em Nova York mafiosa


Chega aos cinemas, nesta quinta-feira (08), o filme Rainhas do Crime, uma adaptação da história em quadrinho The Kitchen, da Vertigo, que marca a estreia de Andrea Berloff como diretora. 

A trama se passa durante o fim da década de 70, em uma Nova York já conhecida por seus mafiosos. Porém, após um crime mal-sucedido, três homens são presos pelo FBI e, então, suas esposas passam a assumir as rédeas do negócio, cuidando das falcatruas e fazendo tudo o que for necessário para proteger o empreendimento.

Em uma entrevista recente, a diretora Andrea Berloff comentou que o filme, apesar de ser feito por mulheres, não é apenas para mulheres, o que explica o uso de alguns clichês já muito vistos em filmes de mafiosos, sem que grandes novidades sejam trazidas à telona. Apesar disso, desde o início, fica claro que a produção tem como objetivo inverter os papéis do homem e da mulher enraizados na sociedade, assim mostrando três mulheres que sempre ouviram o que podiam ou não fazer ditando as regras pela primeira vez.

Kathy (Melissa McCarthy), Ruby (Tiffany Haddish) e Claire (Elisabeth Moss) passam, assim, a não apenas assumir o negócio dos maridos, mas também melhorá-lo a ponto de causar estranhamento com os rivais. Apesar de Rainhas do Crime mostrar o interpessoal de cada personagem e sua relação com a situação que estão vivendo, não há grandes desenvolvimentos em seus arcos durante o filme, com exceção de Claire, que, de absolutamente medrosa, se torna bastante destemida para fazer o que for necessário para proteger os negócios.

Rainhas do Crime tem acertos em relação ao roteiro e a forma como o humor sarcástico é usado em alguns momentos. Porém, também há erros que merecem ser destacados: a primeira parte, principalmente, é marcada por cortes abruptos que têm o objetivo de deixar o filme dinâmico, mas da maneira apresentada, acabou fazendo com que cenas e diálogo perdessem a importância e fossem facilmente esquecidos.

O filme apresenta, também, certa dificuldade em ditar um equilíbrio do ritmo em que os acontecimentos acontecem. De certa forma, funciona como três atos: o primeiro, que rapidamente apresenta quase todas as informações sobre o que veremos ali; o segundo, com um desenvolvimento muito mais enrolado; e o terceiro, com plot-twists tão apressados que deixam de surpreender o telespectador.

Assim, o grande acerto de Rainhas do Crime é trazer o protagonismo da máfia, de tantas histórias já conhecidas, para mulheres. Um tema absolutamente atual ainda hoje.

Foto: Divulgação

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