Entrevista | Gabily lança "Cara Quente", funk empoderado com parceria de DJ Pelé Música

Entrevista | Gabily lança “Cara Quente”, funk empoderado em parceria com DJ Pelé


Nesta sexta-feira (19), a cantora Gabily lançou um novo single empoderado, chamado Cara Quente, em parceria com DJ Pelé. 

A faixa, que traz a mensagem de liberdade para todos, em um mundo repleto de expectativas, fará parte do novo álbum da artista, que será lançado em outubro, e que trará diversos estilos musicais mesclados ao funk. Com um clipe animado gravado na comunidade Tavares Bastos, no Rio de Janeiro, temos apenas uma amostrar do que virá na carreira da cantora.

Em entrevista exclusiva ao Pop Cultura, Gabily comentou sobre seu interesse na diversidade e sobre o quanto seu novo disco a desafiou e buscou retratar seus próprios limites, já que explora vários segmentos dentro do pop e do funk.

“O pop tem essas lacunas que nos permitem passear dentro de vários estilos sem sair daquele segmento. Então, me aproveitei dessa oportunidade e dessa janela que o funk deixa para a gente e fiz vários estilos incríveis para poder lançar para vocês. Estou mais ansiosa pelo álbum do que pelo resto. Quero muito mostrar tudo isso!”, afirmou Gabily.

Ouça “Cara Quente”, de Gabily em parceria com DJ Pelé:

Confira a entrevista na íntegra:

Pop Cultura: “Cara Quente” tem uma letra bem empoderada. Qual a importância disso para você? É sua intenção, de certa forma, inspirar as mulheres com suas músicas? 

Gabily: Sim, com certeza! O empoderamento em si, eu já trago em todas as minhas canções porque acho que é um tema que a gente precisa sempre frisar bem e falar sobre, pelo fato da gente viver sempre muito obcecado por padrões, né? As pessoas em si querem colocar padrões que não existem contra a gente, e a gente tem que quebrar isso. Acho que as mulheres estão até um pouco avançadas nisso. E, falar disso na música, em uma forma de dança, automaticamente é um trabalho da mulher estar cantando aquilo para si mesma. É uma coisa que vai funcionar de dentro para fora. E é muito incrível, eu sinto como se fosse um grito de liberdade.

PC: E como foi trabalhar com o DJ Pelé nessa música?

G: Eu conheço o Pelé há um tempão! Tem uns 3 ou 4 ano. Ele era do mesmo escritório que eu, DJ do Nego do Borel, na época. Ainda não era nem DJ Pelé. E aí a gente começou a conversar sobre a parceria porque eu queria muito fazer uma música que fosse baseada em comunidades e na linguagem da galera. Então, perguntei para ele: ‘Pelé, o que você acha da gente fazer uma música baseada no baile da Colômbia e tal?’. Tanto que a música é carimbada com Colômbia do início ao fim e essa gravação até seria lá, mas acabou não dando certo por conta de logística. E aí eu fui apresentada para a comunidade Tavares Bastos [Rio de Janeiro] e vi que tinha que ser lá, porque era o lugar perfeito. A gente explorou muito a locação. O visual lá de cima é surpreendente, então ficamos muito felizes por gravar na Tavares Bastos.

PC: E como foi gravar lá na comunidade? Como vocês foram recebidos pelos moradores? 

G: A gravação durou mais ou menos umas 10 horas, e o pessoal da comunidade me abraçou de uma forma surpreendente! Toda hora vinha a “Tia do café”, a “Tia do biscoito” oferecendo alguma coisa. E a gente gravava e falava com os moradores. Estávamos sempre brincando com todo mundo, porque o pessoal passava para ir para a escola e a gente lá, gravando. E ninguém achou que tivesse atrapalhando. Todos paravam pra assistir, brincavam. E a gente conseguiu interagir bem com a galera de lá. Foi muito legal! Eu gostei muito de gravar lá.

PC: E faz parte dos seus planos continuar com um trabalho mais voltado para comunidades?

G: Não, na verdade, esse foi um trabalho específico. Óbvio que é uma bandeira que eu vou estar sempre levantando e representando, porém eu vou trazer outros estilos dentro do funk 150 bpm [batidas por minuto] e fora também. Dentro do álbum que eu vou lançar em outubro, eu estou trazendo várias ideias de estilos diferenciados dentro do pop. Então, são músicas Trap, R&B, românticas, tem o funkão. Eu estou dando uma passeada pelos estilos para mostrar a diversidade da Gabily na parte musical, porque poucas pessoas conhecem. Quando a gente lança um funkão assim, a galera já taxa de funkeira. Então, eu vou poder mostrar esse outro lado, não saindo do funk. Vou continuar sendo funkeira, mas uma funkeira que canta outros estilos, toca instrumentos, que tem coisas a agregar além do funk. Óbvio que sempre levantando minha bandeira do funk, mas também passeando dentro dos outros estilos, porque o pop tem essas lacunas que nos permitem passear dentro de vários estilos sem sair daquele segmento. Então, me aproveitei dessa oportunidade e dessa janela que o funk deixa para a gente e fiz vários estilos incríveis para poder lançar para vocês. Estou mais ansiosa pelo álbum do que pelo resto. Quero muito mostrar tudo isso!

PC: Nessa questão de pop vs. funk, você já teve um momento mais pop, mas acabou vindo mais para o funk. E eu queria saber se foi uma escolha pessoal sua, ou você acha que a indústria musical brasileira pede e consome mais funk nesse momento?

G: Não, na verdade, é porque eu fui apresentada para o mercado, de uma forma geral, com “Deixa Rolar”, então a galera acaba achando que eu era mais pro pop. Mas antes de “Deixa Rolar”, eu lancei vários funks. Ainda não era 150 bpm porque não existia; era 130. Mas eu era muito mais voltada para o funkão do que para o pop. Só que, quando eu fui para o escritório e assinei com uma gravadora, o trabalho que foi feito de forma natural, foi como música romântica. Então, o pessoal acha que eu comecei a partir daí. Mas, na real, agora estou voltando para o que eu fazia, que era o funkão mesmo. E não voltando, eu continuo no mesmo segmento, só que lançando outros estilos.

PC: Você comentou sobre uma mudança de visual para essa nova fase da sua carreira. Queria que você comentasse um pouquinho essa mudança e falasse por que você quis mudar. 

G: Com certeza. Eu estou em constante mudança. Para quem me acompanha há um tempinho, vê que eu já mudei bastante de uns tempos para cá e, com certeza, essa minha nova mudança agora faz parte do meu novo projeto, para conversar com tudo o que eu tenho de novo em relação ao meu álbum, com relação a todos os estilos que eu tenho para agregar, e a gente queria me deixar mais natural. Numa fase onde eu conseguisse mudar para os clipes, onde eu conseguisse ser diferente e, ao mesmo tempo, igual. Algo que fosse acessível para as pessoas se inspirarem. Antes, meu cabelo era vermelhão, então era um estilo mais difícil para as pessoas imitarem. Então, minha mudança teve toda uma estratégia dentro de todo o planejamento para o que a gente acredita nesse momento.

PC: Como você disse, seu álbum vai trazer diversos estilos diferentes. Em quais artistas, nacionais e internacionais, você se inspirou para ter essa diversidade no disco?

G: Eu me inspirei muito na liberdade. Claro que tive muitas influências de fora, gosto muito da Ludmilla, Alicia Keys, que é de fora, a Beyoncé… mas me inspirei muito na minha verdade. Então, esse álbum fala muito de mim. Sobre o que eu posso fazer, até onde eu posso ir. Eu quis me desafiar, mesmo. Eu quero cantar uma música R&B, eu quero cantar uma que seja mais Bossa Nova, eu quero cantar um Jazz. Então, tem tudo isso dentro do meu álbum. Na verdade, me inspirei nos meus limites. Esse álbum me descreve completamente, do início ao fim.

PC: O álbum também vai ter diversas parcerias. Como você escolhe essas parcerias? Vai de acordo com o estilo da música ou mais com o seu pessoal? Como aconteceu esse processo?

G: Vai muito com meu pessoal. Mas a parceria não é só ‘ai, quero gravar uma música com fulano e vou fazer uma música em cima disso’. Não, eu crio a música e penso dentro dela quem ficaria legal. Só que até nisso eu dei uma mudada, sabe? Se eu fiz um funk, eu não vou procurar alguém dentro do funk para cantar. Eu procuro alguém de outro segmento e faço essa outra pessoa cantar o estilo diferente, porque aí essa pessoa canta meu estilo e eu canto o estilo daquela pessoa. Assim, consigo unir forças com o que eu quero fazer, que é realmente diversificar o mercado, todo mundo cantar junto e se ajudar. Porque, querendo ou não, a música é uma só, como um todo, só que existem segmentos que no diferenciam. Então, estou tentando fazer essa mistura para a galera entender que música é música.

PC: Você até teve um momento da sua carreira na música Gospel. Você sofreu algum tipo de resistência ou até preconceito por ter mudado de estilo e ido para esse funk mais explícito? 

G: Não. Existem pessoas que vão pensar que é vulgar por causa do palavrão. Mas, no meu discurso, eu prego muito pela liberdade da mulher e de quem for. Eu sou livre para cantar o que eu quero, e isso não me faz menos inteligente, menos valorizada pelo que eu canto. E eu tento mostrar isso pela minha postura, pelo que eu sou e pelo que eu represento quando a pessoa me conhece. Pela forma que eu falo e me coloco, as pessoas conseguem entender que não é só um shorts curto e uma bunda rebolando, sabe? Acho que tudo vai da postura. E as pessoas também poderiam entender e vão entender que, mesmo que fosse só uma bunda e um shorts curto, tudo bem. É a vida da pessoa e ela pode fazer o que quiser. Então, eu tento sempre fazer esse discurso de uma forma clara para as pessoas sempre estarem com aquela informação de que a liberdade existe, a vida é de cada um e, assim, cada um pode ser o que quiser ser. A partir do momento que ela esteja feliz, está tudo bem.

PC: E por parte dos fãs, você sente eles te acompanhando nessas mudanças de estilo? 

G: Total! Eles super apoiam e opinam muito! Mas todo me apoiam muito, acompanham, gostam. De uma certa forma, é sempre uma novidade para eles. Quando começam a se acostumar comigo de um jeito, eu apareço de outro. Então, isso é muito legal. Acaba dando um gás, motivando. E acaba trazendo uma mensagem meio que subliminar de dizer que a mulher pode ficar linda de qualquer jeito. Se eu tiver meu cabelo azul ou amarelo, eu vou estar incrível com o meu cabelo a partir do momento que eu assumir aquilo como minha verdade, como o que eu acho que é bom e acho que é legal.

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