Paul McCartney com a bandeira do Brasil no Allianz Parque, 27/03/2019
Foto: Giullia Gusman Música

Exclusivo | No Brasil, Paul McCartney comenta frequentes vindas ao país, ritmo brasileiro e transcendência de obra


Já há alguns dias no Brasil para a estreia da turnê Freshen Up no país, Paul McCartney já apresenta certa familiaridade com os fãs brasileiros. Afinal, ao todo, foram 9 vindas do músico a terras tupiniquins, onde já foram realizados 26 shows, de 7 turnês diferentes. 

Os números são ainda mais impressionantes ao lembrar que, de todas estas vindas, a maioria aconteceu nos últimos 9 anos, quando McCartney voltou ao Brasil após um considerável hiato de shows no país, que durou 17 anos, e foi recebido de forma muito marcante e calorosa pelo público, digna de Beatlemania durante a década de 60.

Desde então, diversas características do Brasil parecem agradar Paul McCartney, que desta vez veio para três apresentações no país, das quais duas já aconteceram em São Paulo, e outra que acontecerá em Curitiba, no próximo sábado (30). A cultura brasileira, especialmente em relação à música, é uma delas, tendo, inclusive, influenciado a criação da faixa Back in Brazil, presente no último álbum lançado do músico, Egypt Station.

Em entrevista exclusiva ao Pop Cultura, Paul McCartney contou como os fãs brasileiros têm relação com as constantes vindas dele ao país, mas não só isso: o clima agradável, segundo o músico, também contribui para que eles tenham motivo para “escapar” de outros países em época de inverno e vir à América do Sul. Ele contou, ainda, sobre a criação da música “Back in Brazil”, durante uma de suas turnês pelo Brasil, e o que o influenciou no processo. Confira:

– Paul, em 2010 você voltou ao Brasil depois de 17 anos sem vir ao país. Muitos fãs até pensaram que seriam suas últimas apresentações por aqui, mas a recepção foi muito calorosa por parte deles. A energia dos fãs brasileiros tem a ver com o fato de você ter voltado diversas vezes ao Brasil desde então?
Paul McCartney: 
Sim. O público brasileiro é fantástico! Então, sim, esse é um dos grandes motivos pelos quais nós voltamos ao Brasil. Outra coisa boa é que, às vezes, quando o clima não está muito bom na Inglaterra, a gente vem para o bom clima daqui e isso ajuda. Mas, principalmente, é por causa da recepção tão legal que temos aqui, então nós amamos voltar.

– O seu último álbum inclui uma música sobre o Brasil, chamada “Back in Brazil”, que foi recebida pelos fãs brasileiros como um presente vindo de você. Se eles tivessem que retribuir, de alguma forma, este presente a você durante os shows, como seria?
PM: Com uma boa refeição brasileira vegetariana.

– Ainda falando sobre Back in Brazil, você mencionou que escreveu a música no hotel em São Paulo, durante uma de suas passagens por aqui. O ritmo é um pouco similar com a nossa Bossa Nova. De onde você tirou a referência para criar o riff e o estilo da faixa?
PM: 
Quando você está no Brasil, você acaba absorvendo o ritmo do país e eu conheço um pouco de música brasileira por ter ouvido durante os anos. Não conheço muito sobre a música individual, mas eu conheço e amo o estilo. Então, foi isso que me influenciou.

– Paul, toda vez que você vem ao Brasil, é uma grande festa: nós vemos pessoas de todas as idades aproveitando os shows juntas, de avós que acompanharam os Beatles até netos que são fãs agora. Como é, para você, saber que a sua obra transcende gerações e não há nenhum sinal de que isso um dia pare de acontecer?
PM: É incrível. Isso é algo muito especial porque no começo de tudo, com os Beatles, nós pensávamos que o que estávamos fazendo duraria apenas alguns anos, uns dez, no máximo. Mas isso continua e continua. E agora, o que é incrível, é que há crianças pequenas que amam a música mesmo que elas não saibam realmente a história. Elas certamente não estavam lá para saber, mas tem algo sobre a música ser atemporal e as pessoas gostam disso. Eu fico muito, muito feliz sobre isso.

Colaboração: Heitor Crespo

Foto: Giullia Gusman

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