Coisa Mais Linda | Netflix estreia série brasileira sobre Bossa Nova e protagonismo feminino Séries

“Coisa Mais Linda” | Netflix estreia série brasileira sobre Bossa Nova e protagonismo feminino


Chega ao catálogo mundial da Netflix, nesta sexta-feira (22), a série brasileira “Coisa Mais Linda”, que flerta com a Bossa Nova em um Rio de Janeiro que já não existe mais, durante os “Anos Dourados”, mas ainda é muito atual ao mostrar a luta das mulheres pela existência e protagonismo em suas próprias vidas. 

Ambientada no final dos anos 50, Coisa Mais Linda acompanha a história de Maria Luiza (Maria Casadevall), paulistana rica que se muda para o Rio de Janeiro para abrir um restaurante com o marido. Ao chegar, ela descobre que ele a abandonou e fugiu com todo o dinheiro. Malu fica desesperada, mas se recupera e embarca em um novo sonho em meio à energia da cidade que assiste ao surgimento da Bossa Nova. Em sua jornada, ela conta com três mulheres incríveis: a amiga de infância Lígia (Fernanda Vasconcellos), que tem uma bela voz; Adélia (Pathy Dejesus), uma carioca batalhadora e determinada; e Thereza (Mel Lisboa), uma escritora moderna e independente.

Desta forma, as quatro protagonistas são mulheres com histórias e trajetórias diferentes, mas que se encontram na trama ao buscar seus lugares em um Brasil ainda mais difícil para elas. A Bossa Nova une-se a estas personagens como um apoio às histórias e conquistas de Malu, Lígia, Adélia e Thereza.

Durante a coletiva de imprensa que aconteceu em São Paulo para a divulgação de “Coisa Mais Linda”, entre outras produções brasileiras da Netflix, as atrizes se mostraram muito orgulhosas por seus papéis na produção e frisaram, ainda, que o gênero masculino não é o antagonista da série, mas sim o preconceito e as formas de se relacionar com uma estrutura social já estabelecida, como afirmou Fernanda Vasconcellos.

Apesar de todo o protagonismo feminino, “Coisa Mais Linda” também traz homens à frente de seu tempo, como Capitão (Ícaro Silva) e Chico Carvalho (Leandro Lima). O primeiro, diferente de outras passagens da série que mostram o contrário, incentiva Adélia a trabalhar e se aprimorar para novas oportunidades.

“O Capitão é um baterista de sucesso que volta de uma longa turnê só para reencontrar Adélia. Ele é um cara à frente de seu tempo porque ele escuta as mulheres”, afirma Ícaro Silva.

O segundo, por sua vez, tem grande influência na parte da Bossa Nova da produção, sendo um apaixonado pelo gênero musical que ainda não era definido.

“O Chico é um cara muito apaixonado pelo que faz e encontra a Malu, que tem a mesma paixão pela música. Eles terão uma relação muito à frente de seu tempo, com um certo desapego”, explica Leandro Lima.

SÃO PAULO, BRAZIL - Netflix, Brasil na Netflix Junket, March 13, 2019 Coisa mais Linda press conference (L-R) Leandro Lima, Fernanda Vasconcellos, Maria Casadevall, Paty Dejesus, Mel Lisboa, Ícaro de Jesus, . Foto: Netflix / Maurício Santana

Leandro Lima, Fernanda Vasconcellos, Maria Casadevall, Paty Dejesus, Mel Lisboa, Ícaro Silva, . Foto: Netflix / Maurício Santana

As protagonistas por elas mesmas:

“A Malu é uma personagem muito inserida na sua realidade de classe, reproduzindo todos os valores e comportamentos de sua classe, até que um acontecimento inesperado atravessa a história dela e ela se vê obrigada a fazer escolhas que serão determinantes para a trajetória dela dali em diante”, resumiu Maria Casadevall.

“A Lígia é uma mulher que luta pelo direito de existir. Ela é uma mulher jovem, cheia de sonhos, e esses sonhos às vezes esbarram no moralismo ou no tipo de estrutura familiar em que ela está, que ela é inserida. Ela não percebe, a princípio, esses preconceitos vindos diretamente de encontro às vontades e aos desejos dela e ela acaba sendo sufocada e sufocando a si mesma”, afirma Fernanda Vasconcellos.

“A Adélia… eu me emociono um pouco, porque ela me remete muito à minha avó, possivelmente. Mulher negra, sem muitas opções, afinal era 1959, e que não tem muita dimensão do universo dela e do que pode ter além deste universo até encontrar a Malu, de agarrar aquela oportunidade que você tivesse nem sonhado na sua vida. Ela vê uma limitação de sonho, social”, explica Pathy Dejesus.

“A Thereza é uma mulher independente, uma mulher que já tem uma consciência diferente. A curva dramática dela é diferente das três porque ela já vem com uma consciência do papel da mulher, de como ela pode mudar perante a uma sociedade cujo protagonismo é masculino. Então, ela está ali quase como um suporte, um farol mostrando que você pode fazer aquilo que você quer e você pode ser quem você quiser ser. Diferente da maioria das mulheres daquela época”, afirma Mel Lisboa.

Assista ao trailer de “Coisa Mais Linda”:

Foto da publicação: Netlfix / Aline Arruda

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