Crítica Green Book: O Guia Filmes

Crítica | “Green Book: O Guia” é reflexão tocante sobre segregação racial


Grande vencedor do Globo de Ouro 2019, levando para casa as categorias de Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor roteiro para filme e Melhor ator coadjuvante em filmes, para Mahershala Ali, “Green Book: O Guia” traz uma tocante reflexão sobre a segregação racial nos Estados Unidos, mais evidente no passado, mas que ainda deixa fortes marcas no país. 

No início dos anos 60, mais especificamente em 1962, o descendente de italianos Tony Vallelonga (Viggo Mortensen) se vê obrigado a encontrar um emprego temporário após o clube noturno em que trabalha como segurança em Nova York, chamado Copacabana, anuncia que vai fechar as portas para uma reforma.

Vallelonga, logo no início do filme, se mostra bastante preconceituoso em relação aos negros, assim como sua família. Porém, precisando de dinheiro, ele acaba aceitando uma proposta para ser motorista de Don Shirley (Mahershala Ali), um pianista negro mundialmente famoso e bem-sucedido financeiramente, durante a turnê deste pelo sul dos Estados Unidos.

Baseado em uma história real, o filme retrata, então, o racismo vivido pelo músico durante a turnê pela região, que sempre foi mais conservadora e, consequentemente, segregadora para com os negros, quando, em muitos momentos, nem sucesso e nem o talento de Don Shirley são suficientes para que ele seja tratado de forma igualitária aos brancos que ali estavam para assisti-lo.

Escrito por Peter Farrely, que também é o diretor, Brian Hayes Currie e Nick Vallelonga, filho de Tony, “Green Book: O Guia” transita maravilhosamente bem entre o drama e o humor, com tiradas muito bem pensadas e que fizeram o cinema todo dar risada, enquanto tratava de uma temática tão triste e, em ocasiões, revoltante.

O título, “Green Book”, foi inspirado em um livro que realmente existiu. O livro “The Negro Motorist Green Book” foi primeiramente publicado em 1936, por Victor Hugo Green, com o objetivo de ajudar os viajantes negros a trafegar pelos Estados Unidos, indicando, por exemplo, onde eles poderiam ficar hospedados.

As atuações de Mahershala AliViggo Mortensen são um show à parte na produção. Este último, quase irreconhecível, devido à caracterização e os quilos engordados para o papel.

Com estreia nos cinemas brasileiros marcada para o dia 24 de janeiro, “Green Book: O Guia” é um filme e tanto. A críticas e a reflexão propostas são trabalhadas com muito equilíbrio e, assim esperamos, tem tudo para ganhar boas indicações ao Oscar 2019.

Comentários

comentários