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#SgtPepper50: Como surgiu a ideia de os Beatles adotarem personagens para o álbum


Em comemoração aos 50 anos do histórico álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, preparamos um especial de sete dias com curiosidades e histórias por trás de sua produção. Hoje, neste quarto post, falaremos sobre como surgiu a ideia de adotar personagens para o tão aclamado disco.

O novo visual dos Beatles em 1967, certamente, foi uma das coisas que mais chamou a atenção dos fãs e de todos aqueles que acompanhavam a banda. A ideia, aliás, surgiu de forma divertida, em uma viagem que Paul McCartney fez em 1966.

Após o fim da última turnê da banda, Paul McCartney decidiu ir à França para desestressar. Diferente do que ele imaginou, porém, diversas fãs saíam gritando seu nome e correndo atrás dele. Foi, então, que surgiu uma ideia recorrente, de algo que ele havia feito durante as gravações do filme “A Hard Day’s Night”: dar um jeito de se disfarçar.

Irreconhecível:

Em 1964, em Estocolmo, o músico já havia testado o disfarce. Ao bater na porta do quarto de George Harrison, ele fingiu ser da imprensa e o guitarrista, muito mal humorado, negou qualquer tipo de entrevista ou fotos. O mesmo aconteceu com Brian Epstein. Ao revelar o disfarce, ambos ficaram muito surpresos.

Desta vez, McCartney usou a “fantasia” para viajar a Bordeaux, na França, em companhia do roadie dos Beatles, Mal Evans. O disfarce era tão bom que, em uma festa à noite, a entrada do Beatle foi negada. Mais tarde, ele voltou sem disfarce e foi recebido de braços abertos pelos seguranças.

“O disfarce tinha sido uma espécie de terapia, mas eu já estava cheio. Tinha sido legal porque lembro que era como se eu não fosse famoso, e isso não era necessariamente melhor do que ser famoso”. – Paul McCartney (Many Years From Now, 1997).

Da França, Paul McCartney e Mal Evans dirigiram até Madri, onde, mais tarde, pegaram um avião para o Quênia, para aproveitar o que a natureza oferecia para eles relaxarem.

Ideias:

 

Durante o voo de volta a Londres, o baixista dos Beatles teve a ideia de criar uma nova identidade para a banda. Desta forma, poderiam aproveitar para criar novas experiências e estilos com sua música.

“Estávamos cansados de ser os Beatles. Realmente detestávamos aquela maldita coisa de nos considerarem meninos, os quatro Mop Tops. Não éramos garotos, éramos homens crescidos. Aquela merda de adolescente já tinha passado, toda aquela gritaria, e não queríamos mais. Além disso, estávamos ligados na maconha e nos achávamos artistas, e não intérpretes”. – Paul McCartney (Many Years From Now, 1997)

Por isso, Macca começou a pensar em alter-egos para os Beatles, com o objetivo de, justamente, libertá-los da imagem dos Beatles.

“Tive essa ideia de dar alter-egos para a banda simplesmente para conseguir outra abordagem, de modo que, quando John ou eu fôssemos ao microfone, não seria John ou eu que cantávamos, mas os membros de tal banda. Seria uma libertação. Achei que podíamos aplicar essa filosofia a um álbum inteiro: com aquele grupo alter-ego, não seríamos nós a apresentar a música, não seriam os Beatles, seria outra banda, e conseguiríamos perder nossas identidades nesse processo”.

O nome:

Ainda junto com Mal Evans, durante um jantar, o roadie perguntou o que significava o S e P em uns saquinhos na mesa. Paul, então, disse brincando, “Sergeant Pepper, salt and pepper” [Sargento Pimenta, sal e pimenta]. O nome pegou e, seguindo a ideia da época em usar nomes desconexos para bandas, surgiu o “Lonely Hearts Club Band”.

Chegando em Londres, Paul McCartney levou a ideia aos outros três integrantes da banda, que rapidamente aprovaram a criação de um novo álbum, desta vez, com uma “ideologia” diferente.

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