img_3872 Críticas, Literatura

Crítica – Renascimento DC


“Renascimento DC”: é com esse título que a DC Comics inicia o marco zero de sua nova cronologia no Brasil. É uma fase de transição de vários quadrinistas que saem e que entram nos títulos, e Geoff Johns assume a linha temporal da empresa, assim como terá a responsabilidade nas grandes telas dos cinemas em breve, começando com o filme “Mulher Maravilha”, do qual participou ativamente do processo.

img_3872

A partir de uma metalinguagem, utilizando Wally West, uma versão esquecida do Flash, a DC Comics abre o quadrinho falando dos tempos em que vieram nos novos 52, no qual uma força poderosa assumiu o controle da linha do tempo, modificando o cerne dos personagens, e o único personagem que viu isso acontecer foi o Flash.

Numa passagem rápida por todos os títulos esquecidos pela linha Novos 52, o Flash fala sobre a mudança nos personagens icônicos, e o rumo que eles seguiram, seja o Batman, Mulher Maravilha, Superman e outros grandes nomes. Apenas para elucidar, em certo trecho, ele fala sobre o relacionamento da Canário Negro com o Arqueiro Verde, algo simplesmente ignorado pelos roteiristas durante a antiga fase, e como eles são pessoas com um vazio de uma realidade que deveria existir.

Então, o título que dá início a essa cronologia vem para falar sobre como a atual cabeça da DC Comics encarou a visão dos Novos 52, e quem acompanhou provavelmente vai passar o quadrinho balançando a cabeça como se concordasse que seus grandes ídolos passaram por dias difíceis.

A mudança na arte é visível, e a mudança específica de cada personagem também notável, uma vez que se quer realmente mudar a visão que o público tem dos quadrinhos, isso é mais um passo a atrair o leitor. Além de que a versão brasileira, lançada pela Panini, traz muita informação sobre a edição e sobre o processo de repaginação dos personagens, o que dá um gosto a mais para quem compra.

img_3870

Os personagens estão em sua maioria vivendo dualidades em seu momento, uma forma de mostrar uma mudança na cronologia, porém ela não apaga em nada o que aconteceu. O Homem de Aço, agora, é um Superman que foi apagado pela cronologia antiga, e o Superman que vinha, morreu, mostrando a grande mudança que a editora quer para todos os outros personagens.

Vemos um Clark Kent que vive no Kansas, onde é casado com a Lois Lane e tem um filho, o Jonathan Kent, e ele lida com essa ausência do antigo Superman e tudo que ele deixou para trás, e o Lex Luthor quer assumir a responsabilidade do Superman. O que destaca no primeiro quadrinho é a relação entre Clark e Jonathan, na qual ele quer que o filho aprenda sobre seus poderes antes de poder ajudar, sendo uma dinâmica pouco vista em quadrinhos anteriores do Homem de Aço.

img_3868

A Mulher Maravilha também enfrenta sua dualidade, em que não sabe qual é sua origem real, e se percebe enganada por forças maiores, assim iniciando uma busca sobre sua verdadeira identidade e quem fez isso. A mudança no visual, trazendo uma roupa mais parecida com a clássica, é estabelecida logo no começo do quadrinho, no meio da discussão sobre a origem dos Novos 52 e a versão estabelecida pelo George Perez que é considerada a origem clássica da guerreira amazona.

img_3869

Bruce Wayne sempre foi um excêntrico herói, mas na visão de Tom King, ele explora a sempre presente tendência suicida do Batman, que é um vigilante que combate o crime, porém é apenas munido de um corpo bem treinado e seu intelecto. Em um quadrinho, vemos o Bruce Wayne treinando na beirada de seu heliporto, e na outra o Batman domando um avião pelas rédeas. Esse roteiro foi escrito em conjunto entre Tom King e o Scott Snyder que era o antigo responsável pelo roteiro do Batman que foi muito aclamado, e a arte é do David Finch com o Matt Banning, que emulam muito o visual que Greg Capullo caracterizou na antiga fase. Mas existe uma novidade na cidade, dois heróis novos com poderes parecidos com o Superman que despertam a desconfiança do Homem Morcego.

Comentários

comentários