Crítica: "Aquarius" supera expectativas e quebra tabus Críticas, Filmes

Crítica: “Aquarius” supera expectativas e quebra tabus


Ovacionado em Cannes, Amsterdã e Gramado, o filme Aquarius, do diretor recifense Kleber Mendonça Filho, superou expectativas e foi aplaudido de pé ao final da sessão.

Simples, sensível, tocante e apaixonante, Aquarius é um grande quebrador de tabus. Toca em assuntos ainda muito negligenciados, como a amamentação em público, o corpo da mulher e a sexualidade na terceira idade. Com uma protagonista de 66 anos, o filme não hesita em empoderá-la. Lembra a todos que, apesar de ser mais velha, Clara ainda é mulher, assim como a própria Sonia Braga e qualquer outra senhora. Ainda tem vontades, desejos, saudades e certezas.

O longa mostra a árdua luta da protagonista contra o envelhecimento e o esquecimento. Morando sozinha em um prédio antigo e vazio, Clara insiste em relembrar a todos: “eu ainda estou aqui”. Em uma atuação incrível, Sonia é reapresentada ao público (principalmente ao jovem).

Lembrando o famoso cortiço da história de Aluísio de Azevedo, o próprio Aquarius é uma espécie de personagem. É como se o prédio tivesse sua própria voz. Como se fosse alguém cheio de histórias que está ameaçado e precisa da ajuda e cuidado de entes queridos.

Crítica: "Aquarius" supera expectativas e quebra tabus

Assunto principal do filme, ele é apresentado através de flashbacks, o que aproxima o espectador da história e gera simpatia com a causa. De repente somos moradores do residencial e queremos preservá-lo tanto quanto Clara.

Ontem, durante o debate que sucedeu a exibição do filme, a própria Sonia Braga disse que vê o Aquarius como uma pessoa, enquanto sua personagem, como um anticorpo que luta contra um câncer, ou seja, a companhia que quer demolir o prédio e transformá-lo em outro novo e mais moderno.

O filme é uma bela pintura do nosso Brasil: pessoas de todas as cores, religiões, tamanhos, ideais, classes sociais e paixões. Apesar do cenário principal estar situado em um bairro de classe média alta, há uma relação bem íntima e carinhosa entre as duas classes opostas, resistindo à divisão na qual nos vemos imersos há anos.

Com uma trilha sonora espetacular que envolve desde Queens a Maria Bethânia, Aquarius é um reflexo sobre nós e para nós.

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