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Crítica: “Como Eu Era Antes de Você”


“Como Eu Era Antes de Você” é um filme apaixonante em todos os sentidos: você sai do cinema apaixonado pelos atores, pela história, pela vida (e decidido a aproveitá-la) e pelo amor.

Os chatos de plantão dirão que é só mais uma comediazinha romântica clichê feita para encher bolsos alheios. Claro que é. A maioria dos filmes lançados hoje em dia tem o intuito de fazer sucesso e gerar dinheiro. Claro que há exceções, mas a indústria do cinema atual (Hollywood, principalmente) funciona deste jeito.


O que faz este filme ser ótimo não é a sua história clichê que te faz chorar por um amor impossível. 
O que torna “Como Eu Era Antes de Você” um filme grandioso é a maestria com que a diretora Thea Sharrock desenvolve o gênero. O longa tem uma fluidez incrível e trata de questões reais. Ele explora a vida afetiva de um homem de 30 e poucos anos de idade que é rico, bonito, vaidoso, mas que depois de um acidente fica tetraplégico e se vê dependente de alguém até para comer. Como uma pessoa nesta situação consegue ter um relacionamento afetivo? É essa questão que o filme desenvolve.

Crítica: "Como Eu Era Antes de Você"Para início de conversa, devo dizer que os atores são excelentes e trabalham em uma sintonia incrível. Emilia Clarke (que dá vida à Louise Clark) tem uma simplicidade em sua atuação que deixa qualquer um encantado: ela traduz seus sentimentos na sua marcante expressão. Sua sobrancelha faz todo o trabalho em perfeita harmonia com seus olhos verdes. Sam Clafin (Will Traynor), levado pela impossibilidade de movimento do personagem, também concentra todo o peso da invalidez em seu rosto. Somos capazes de sentir com ele a angústia de sua existência.

A caracterização dos personagens traduz muito bem o psicológico deles. Lou é positiva, alegre, jovial e menina, então tem em seu vestuário (que vira um ponto de comédia no filme) diversas roupas coloridas, excêntricas e com estampas inusitadas. Já o personagem sofrido, clássico e orgulhoso, Will, é traduzido em uma vestimenta sóbria.

A fotografia do filme é muito bonita e colorida, muitas vezes complementada pela beleza das cenas externas, e aposta na centralização da imagem. A paisagem de tirar o fôlego da Inglaterra confere um ar fantasioso, de conto de fadas, para um filme com uma história e um problema real.

Quase como um bônus, a trilha sonora é em alguns momentos o que leva o espectador a se debulhar em lágrimas. Com a baladinha romântica de Ed Sheeran, “Photograph”, e a inédita da banda Imagine Dragons, “Not Today”, reforçando o tom romântico e melancólico do filme, no cinema só se viam mãos limpando lágrimas pesadas. As letras das canções cabem perfeitamente à situação.

Crítica: "Como Eu Era Antes de Você"A comicidade é muito bem explorada pelos personagens com o mau humor/sarcasmo de Will e, principalmente, com a ingenuidade e bom de humor de Lou Clark. É um filme que consegue causar muitas emoções em quem assiste: divertimento, felicidade, tristeza, revolta, raiva, serenidade e amor.
O final da história é fiel à realidade, fugindo do clássico final feliz. Porém, é fraco e pouco desenvolvido em relação ao resto da história e ao seu peso.

“Como Eu Era Antes de Você” é um dos filmes mais esperados do ano e com razão: é um “A Culpa É das Estrelas” melhorado, versão 2016 adulta. Honra o gênero ao qual pertence. Delicioso de assistir, o filme cativa o espectador e o leva à realidade proposta. São quase duas horas que mais parecem 15 minutos. Constatei com quem assistiu que ali só havia um grande problema: o filme acaba.

 

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